terça-feira, 25 de maio de 2010

Viagem a um Mundo Novo

Vinha de saltos altos, estava a chover torrencialmente. Não podia ir mais a pé, não tarda estava a ir descalça. Só chorava. Quem olhasse para mim nem reparava, de certeza que se confundia com a chuva. Porquê? Não perguntes. Nem eu sabia…estava confusa até à ponta dos cabelos, só tinha pontos de interrogação na minha cabeça. Suposições aos milhares, muitas perguntas, mas respostas, nem sombra delas.
Trazia aquele top preto com o casaco fininho cinzento por cima, por isso, como deves imaginar, já não sentia os braços e o meu cabelo estava encharcado. Tinha o meu colar a pingar e os meus brincos balançavam com o vento. Virei a esquina do Pátio da Cantigas e resolvi esperar por um táxi; embora não tivesse dinheiro, achei não havia problema, quando chegasse ao meu destino pedia a alguém que conhecesse “uns trocos”. De cinco em cinco minutos, passava um táxi ocupado que resolvia contornar a esquina, mesmo ao pé de mim, para fazer com que ficasse toda molhada por causa da água da chuva, à beira do passeio…estava feita num oito. Pareceu-me que passaram por mim imensos táxis livres, mas fazia questão de não os ver. Só me apetecia ficar ali para sempre! Sozinha; a ouvir os pingos a escorrerem pelas janelas do prédio ao lado, a sentir o vento a trespassar os meus cabelos e com sabor da pastilha que tinha comido na hora anterior. Ao menos ninguém me incomodava, não tinha obrigações de nada nem e a tristeza era apenas superficial. Embora permanecesse dentro de mim, parecia que uma parte dela desaparecia aos poucos e poucos. Ia-me esvaziando, finalmente, do pessimismo que me preenchia...
Acho que fiquei à espera do táxi a noite toda. Quando via algum e tentava chamá-lo, não conseguia; não tinha voz. Esforcei-me para acenar quando eles passavam por mim, mas os meus braços não se mexiam; tudo era em vão. Alguma coisa estava a fazer com que eu ali ficasse. Quando começou a chover menos, aproveitei e sentei-me na entrada do pátio. Cruzei as pernas e deitei a cabeça nos joelhos. Fechei os olhos e viajei pelo mundo inteiro! Nada me impediu naquele momento. Pareceu-me que fui até à Índia: vi árabes e lenços de mil cores. Experimentei todos os pratos típicos de lá e conheci muita gente. Aprendi a falar a língua e apaixonei-me pela cultura daquele maravilhoso sítio. Voltei rápido para onde estava…sentia-me presa. Ali. Estava prestes a explodir.
Permaneci dez minutos de olhos fechados. Quando levantei ligeiramente a cabeça, vi um táxi preto e branco a parar à minha frente. Levantei-me, muito lentamente, e abri a porta. Sentei-me no banco de trás e baixei a cabeça. Continuava com lágrimas no rosto.

Limitei-me a dizer: Para o Mundo Desconhecido, se faz favor.

Sem comentários:

Enviar um comentário